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29.1.12

Talento de sobra

O jornalista Marcus Pye se refere da seguinte forma à Fórmula Ford 1600 e àquele piloto do capacete amarelo que começou a ver nas pistas inglesas em 1981.

"Tenho acompanhado a Fórmula Ford 1600 bem de perto, desde o fim de 1973 até agora. Não é todo ano que você vê na 1600 um piloto surpreendente de nível internacional, mas o que se vê é um criadouro da competição internacional, pois a Fórmula Ford 1600 era, naquela época na Grã-Bretanha, o lugar para onde os garotos iam competir. Portanto, todo mundo ia à Grã-Bretanha para competir."

"Mas ele [Ayrton] era absolutamente fora de série. Você podia ver desde a primeira vez que ele pilotou na Fórmula Ford que era uma nova referência. Não é necessariamente fácil passar dos karts para os carros de corrida, mas outra coisa que ele tinha era o fato de viver num casulo. Ele não era um cara particularmente extrovertido, nem falava inglês bem na época. Ele só podia fugir do casulo através de seu dom de piloto e foi isso que ele fez."

"Como classifico o desempenho de Senna em 1981 com relação a todos os outros que já vi? Penso assim: você não pode comparar Fangio com Schumacher porque eles nunca competiram entre si, mas tendo dito isso, Senna era provavelmente o cara mais talentoso que nós já vimos - e acho que ninguém pode superá-lo. Ele era tão fenomenal ao largar com os pneus frios. Ele conseguia fazer os mesmos tempos volta após volta e para ele não importava se os pneus estavam frios ou não."

"A coisa mais fascinante que vi foi em Thruxton. Lembre-se de que, com aqueles pneus antigos, os carros vibravam e pulavam por qualquer ondulação na pista - e havia muitas em Thruxton" Você não conseguia manter o carro em linha reta metade do tempo! Mas o interessante é que Senna fez um tempo em Thruxton e, embora eu não consiga lembrar das circunstâncias exatas, era algo como três voltas seguidas com diferença de um centésimo de segundo. Então, ele deu mais três ou quatro voltas com diferença de um décimo disso. Sua pilotagem era muito consistente, e isso é bastante significativo, pois aqueles carros jogavam você para fora da pista a cada oportunidade. Eles não tinham muita potência, mas também não tinham muita aderência. Pilotar de maneira tão homogênea, tão precisa - os traçados que ele fazia com o carro tinham diferenças de milímetros -, onde todos brigavam por polegadas, era notável e era o que o tornava excepcional. Ele e o carro se tornavam uma única coisa."

Em itálico, trechos do livro Senna - Uma Lenda a Toda Velocidade, de Christopher Hilton.

4 Comentários:

André Candreva disse...

TW,

Senna foi, continua e continuará fascinante...

Sempre haverá alguém para citar algo sobre seu talento...

abs...

André Candreva disse...

TW,

detalhe, tbm tenho esse livro... é fantástico...

abs...

TW disse...

Exato André.
Estou fazendo essa série com os trechos do livro e tratando das curiosidades para que aqueles que não tenham possam ficar por dentro disso também.

abs

Marcelonso disse...

TW,

Eis um livro que preciso comprar. Valeu a dica.


abs